POST palacio de cristal ago21

Quebra-cabeça imperial

As escavações arqueológicas nos jardins e subterrâneos do Palácio de Cristal têm trazido importantes descobertas. São materiais que remontam ao início do século XIX, muito antes da fundação da cidade, em 1843 – e até mesmo alguns do século XVIII, de acordo com Giovani Scaramella, diretor da empresa responsável pelos trabalhos. O mestre em arqueologia Kedma Gomes, português de Lisboa, comanda o peneiramento do material. Já foram escavados até o momento 230 metros quadrados. A região onde se situa o palácio, confluência dos rios Piabanha e Quitandinha, foi batizada pelos colonos, em 1843, como Koblenz. Trata-se de uma referência à cidade alemã de origem dos colonos, onde se encontravam os rios Reno e Mosel (não por acaso, Petrópolis tem os bairros Renânia e Mosela). Inicialmente uma praça simples, onde, com a passagem do tempo e a vinda da nobreza, se realizavam feiras e exposições a céu aberto, acabou se tornando um dos endereços mais sofisticados de Petrópolis. É que o Conde D’Eu, marido da Princesa Isabel e presidente da Sociedade Agrícola de Petrópolis, inspirado pela beleza do Crystal Palace de Londres, encomendou às oficinas da Société Anonyme de Saint-Sauver, em Arras, na França, o palácio pré-fabricado. Ou seja, embora esteja momentaneamente sendo um empecilho à visitação, o esforço de pesquisa na versão petropolitana do Crystal Palace merece realmente a dedicação dos arqueólogos. Com o fim dos trabalhos, uma exposição será montada no Palácio de Cristal, exibindo os achados – de louças inglesas utilizadas pela elite local no século XIX aos exemplos de stoneware (cerâmica oriunda da região de Flandres), às peças mais pitorescas, como um delicado cachimbo de porcelana. Quem o terá perdido, a que horas, e fazendo o quê?